quarta-feira, 16 de maio de 2012

Foi um momento de tédio...

A mensagem de um documento lido com correção sem chama pode constituir um momento de tédio. Estou a referir-me à escrita criativa que não denuncia o seu criador, só os destinatários de uma mensagem que já não aquece, nem arrefece. É a manutenção da inevitabilidade: Sou, logo resisto. Foi um momento de fino tédio atapetado de mordomias e beija-mãos. Um verdadeiro chá de quermesse ou vernissage de Cascais em plena primavera Barcelense. Se me resisto a dizer do que estou aqui a perorar é porque me remeto à reflexão pura e militante. Viva a liberdade! Porra! Mas que liberdade é que existe quando não existe classe para assumir tal liberdade. É o reino do puro e ledo engano. Da diáfana fantasia de uma democracia que só existe quando nos interessa. Se me espero ver a visionar este documentário? Acho que não sou capaz disso. Preciso de ver mudança e de ajudar a acontecer algo de diferente e de genuíno. Não há quem mereça ser tratado como jumento sem ideias. Precisamos que nos tratem como pessoas com competências. A principal das quais é juntar dois argumentos e descobrir o que não é dito mas praticado. É difícil perorar e criticar outros quando não nos resta mais nada para combater o tédio da política caseira e provinciana. Depois, não podemos querer ter "sol na eira e chuva no nabal". Ou seja, titulares de poder medíocres e administrados excelentes. A perna tem que dar o salto correspondente à sua amplitude. O segredo está na humildade de ouvirmos os outros e aceitarmos as sugestões que visem a melhoria da transparência. Se continuarmos fixos no interesse imediato é melhor apostarmos no tédio. Só que depois pode já não haver democracia...

domingo, 6 de maio de 2012

A ditadura do diploma

As pessoas devem ter ficado um pouco aflitas quando começaram a ler o meu último post. Não se iludam. O que escrevo ultrapassa, de longe, o que pretendo dizer-vos. O meu objetivo é colocar-vos a pensar… Refletir é o primeiro passo para querer saber mais sobre o que já se sabe ou, na melhor das hipóteses, sobre o que ainda se desconhece. Não podemos ficar admirados por não saber seja o que for. Porque isso, o que não sabemos, levar-nos-á mais longe e a uma maior admiração que temos de transformar em vontade de saber. Foi pensando em algo parecido que, num dia já distante, alguém começou a disseminar este vício, a vontade de aprender, junto daqueles que tinham falta de (re)conhecimento. Utilizado como bandeira política, pelos que o criaram, e como chaga social, pelos que não conseguem “deitar fora a água do banho com o bebé lá dentro”, o Programa Novas Oportunidades encontra-se em torpor. A melhor forma de matar seja o que for é, com toda a paciência e calma, deixar de o alimentar. No princípio, o estômago ainda estrebucha, faz aqueles barulhos de precursão em seco, depois, o torpor toma conta do resto. Morrer à fome caiu na banalidade das imagens que nos chegam de tantos sítios do mundo. É visível o torpor de quem já nem força tem para se alimentar. No entanto, o (re)conhecimento foi desinstalador e colocou muitos no caminho que nos pode tirar das dúvidas e das dívidas: o caminho do querer saber mais. A zona de conforto, de que tantos falam, esbarra na vontade manifesta de tantos que, saindo do conforto anónimo, se libertaram para sempre da ditadura do diploma.

sábado, 5 de maio de 2012

A nova economia

“Pode ter sido possível no passado, para coisas que aconteciam em isolamento, mas a partir de agora, o mundo tem de ser visto como um todo orgânico, em que tudo afeta tudo.” [Polibius, nascido em 200 AC, morto em 118 AC, Megalópolis, Grécia] Segundo Gerd Leonhard o desafio é não se preocupar em fazer mais dinheiro, mas em ter significado. “Os líderes têm de se tornar conectores. É necessário que haja uma transformação de um ambiente de híper competitividade para um de híper colaboração. Ter significado junto com os outros é a chave do futuro. “Muita gente diz que estou fazendo comunismo, mas não é. É darwinismo”. A Open Network Economy, em cujo estudo Leonhard é um dos expoentes, persegue alguns dos seguintes tópicos. A abertura às idéias em detrimento do fechamento sobre pequenos centros circulares de informação. - Eu penso assim, tenho poder sobre ti, logo tu tens de pensar como eu! Estar em rede e não aceitar, tacitamente, que existe uma ‘rede’. Qualquer rede que não seja utilizada por cada um de nós, não sobrevive. A mobilidade de acesso à informação garante rapidez e clareza da resposta à mesma. Longe vão os tempos em que os telemóveis pesavam 5 kg e viajavam quietinhos no automóvel e não serviam em qualquer lado a que fossemos. Agora com a Nuvem até nos damos ao luxo de efetuar chamadas vídeo em formato de Skype. Quem tem Dados tem Ouro. Se dispuser de informação que mais ninguém consegue, posso transacioná-la. Por isso as imagens dos conflitos ou dos desastres aparecem cada vez mais rápido na comunicação social. Na Nova Economia os clientes são mais Seguidores do que Consumidores. O segredo do sucesso das marcas está na fidelização que conseguirem com os seus clientes. Os conflitos que caraterizaram as relações vendedor/comprador e que conduziram ao Livro Amarelo das Reclamações cada vez mais pertencem ao domínio da Ficção. A Confiança configura o novo tipo de Controlo na relação económica. Passou-se de uma Lógica Difusa para uma Lógica Binária, aquela que é utilizada na informática. Passou-se a considerar como indicador económico o ROI 2.0 (return on Involvement = retorno em envolvimento). Daí que sejam de evitar, na mente de qualquer empresário, Assumções Tóxicas como as seguintes. “Podemos impor um futuro diferente daquele que os nossos clientes desejam” “Podemos ignorar os comportamentos emergentes dos nossos utilizadores e moldá-los ao que pretendemos” “Precisamos de nos preocupar primeiro e acima de tudo com aquilo que é melhor para nós” “Os nossos lucros devem ser 100% nossos – é um mundo de ganha ou perde!” “Mais controlo = mais dinheiro” Nesta altura de os Líderes tornam-se Conectores – não só ‘Diretores’ “A revolução não acontece quando a sociedade adota novas ferramentas. Ela acontece quando a sociedade adota novos comportamentos…” [Clay Shirky, Author, Consultant, Professor na Universidade de NY]. A confiança é a mais importante moeda online, então para a construir nós aderimos aos três princípios da informação aberta: o valor, a transparência e o controlo (Google Senior VP, Product Management Jonathan Rosenberg's essay, The Meaning of Open, published on the Offical Google Blog). Como é que se tem confiança sem abertura? “As marcas já não são definidas por campanhas, mas sim pelos ecossistemas que são criados para suportar os consumidores.” [Mike Mendenhall, CMO, Hewlett-Packard] Face à crise económica, à cultura de banda larga e à mobilidade, urge uma mudança da confiança global. Os dados são, como se disse acima, o novo petróleo. Assistimos a uma mudança fundamental, ligada à abertura da energia, dos negócios, da educação, das telecomunicações, dos média e dos conteúdos. E apesar de o sistema operativo mundial estar ainda algo anestesiado, o futuro é a colaboração e nunca mais a divisão para reinar. Para o Presidente da Google China, Kai Fu Lee: O Interesse mútuo, mais do que o monopólio, é a chave para o desenvolvimento sustentável. A colaboração é tudo. Ou seja, partamos para uma mudança suave… mas inevitável. No entanto, nem tudo é assim tão acessível. Existem, por exemplo, 3 desafios da abertura: 1. A abertura é difícil – e normalmente não é a nossa posição de partida; 2. As conversações demoram tempo – e podem tornar-se um verdadeiro trabalho; 3. “Oferecer algo de graça de forma a que não exijas um pagamento mais tarde” implica uma coragem real – e uma vontade de acreditar! “Temos que encontrar o balanço certo entre o estar em contato e o estar a controlar. A ironia é que, quanto mais se controla mais se perde o contato.” [Proctor & Gamble CEO, A.G. Lafley na ANA Annual Conference in Orlando, Ocotober 2006] Finalmente, a mudança exige que estejamos atentos e disponíveis para a abraçar. Em 12/2009 a Google apresentou o seu "Manifesto de negócios abertos": “Os sistemas fechados são melhor definidos e rentáveis, mas somente para aqueles que os controlam”. “Os sistemas abertos são caóticos e rentáveis, mas somente para aqueles que os compreendem bem e se movem mais rápido do que quaisquer outros” “Os sistemas fechados crescem mais rapidamente enquanto os sistemas abertos evoluem mais lentamente (requerendo uma visão de longo prazo)” “ A Google tem todas estas variantes”.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Rede de Autenticidade

Como criar uma rede de autenticidade numa zona geográfica de fechamento naturalizado em que os transportes públicos funcionam, duas ou três vezes ao dia, com capilaridade insuficiente? Não temos ainda resposta mas esperamos sugestões. Não fora existirem alunos que, teimosamente, ainda conseguem seguir os cursos que desejam em escolas com história e práticas reconhecidas e a vida continuava, assim, na mesma. Ou seja, somos aquilo que os fazedores de opinião local nos levam, com mais ou menos músculo, a ser. Assim, não fazendo de Aldreu, freguesia de Barcelos onde se escrevem estes textos,uma freguesia com maiores ou menores atributos que as outras, podemos, perifericamente, lançar um olhar reflexivo sobre a nossa vida e a dos outros. Não pretendemos criar ou manter quaisquer mexericos. Não nos interessa a vida particular de ninguém. Somos politicamente militantes mas não somos seguidistas ou enfeudados em nenhuma candidatura ou lista autárquica. Gostamos de ser o que somos, simples e presentes, tentando , desta forma, contribuir para que cada um pense por si e seja líder em si próprio.